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Quantos anos mais teremos que esperar para termos mulheres em condições igualitárias na Engenharia?

Artigo de Opinião – Por Mariana Figueiredo

Na última semana, o Ministério do Trabalho e Emprego divulgou uma pesquisa sobre equidade de gênero nas relações trabalhistas. Os dados revelam que em 2024, o valor médio de contratação para o regime CLT foi de R$ 2.178,00 um aumento de 1,9% em relação ao ano anterior. Dentro destes números foi constatado que as mulheres foram contratadas com uma média salarial 10% menor em relação aos homens, sendo que elas recebiam uma média R$ 2.050,00 e eles R$ 2.270,00.  

A diferença salarial pode variar de acordo com a categoria profissional, mas algo que é comum (independente da área profissional) é que no Brasil as mulheres recebem em média 19,4% a menos que os homens. Se compararmos aos dados mundiais, de acordo com a ONU em pesquisa divulgada em 2022, esse percentual sobe para 20% .

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Trazendo para o universo da engenharia, a diferença persiste e pode ser ainda mais gritante. O Insper São Paulo ao divulgar um estudo sobre as escolhas profissionais e impactos no diferencial entre homens e mulheres, constatou que a diferença média de salário para a engenharia pode chegar até 67,7%. O que é corroborado pelos dados do CONFEA, divulgados em 2020, que constatam que as mulheres da engenharia recebem o equivalente a 82,1% do salário de um homem com a mesma formação. Apesar do número de mulheres na profissão ter crescido ao longo dos anos, a diferença salarial permanece e pode variar de acordo com o tipo de engenharia.

Na engenharia química por exemplo, uma mulher recebe em média 67,6% a menos do que um homem, enquanto a menor diferença é na engenharia mecânica onde a mulher recebe 2,4% a menos.  

O estado do Paraná é o estado com maior atuação de engenheiras, com destaque para a engenharia civil. De acordo com a revista Exame, a engenharia civil é a sétima profissão do país com maior diferença salarial entre gênero, quando comparada com todas a profissões de nível superior. Na engenharia civil, uma mulher ganha cerca de 38,6% a menos que um homem. 

Se partirmos para uma análise em cargos de liderança em engenharia, os números revelam que mulheres ganham em média 67% a menos do que homens. Engenharia é a formação predominante das CEO’s no Brasil, sendo que 46% das mulheres que ocupam esse cargo de liderança no país são engenheiras; porém apenas 5% dos cargos de CEO’s no Brasil são ocupados por mulheres. 

E quando falamos em sindicatos de engenharia, apenas o sindicato do Ceará (2016) e o sindicato do Piauí (2022) foram presididos por mulheres, um número duro de ser aceito, quando analisamos que os sindicatos de engenharia atuam há mais de 90 anos no Brasil.  

Neste cenário fica a pergunta: Quantos anos mais teremos que esperar para termos mulheres em condições igualitárias na Engenharia? Esses números demonstram a relação abismal de representação feminina no universo da engenharia, e nos faz refletir neste 08 de março. E apesar de termos realizações para comemorar, temos muito mais pautas para lutar. Diante deste cenário, a premissa de que “ser mulher é um ato político” além de verdadeira, se torna equivalente também na engenharia.