No marco dos 90 anos do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR), uma das conquistas mais significativas foi a criação do Coletivo de Mulheres, um espaço fundamental na reivindicação por igualdade de direitos trabalhistas e no combate às desigualdades de gênero no setor da engenharia. Para Sandra Cristina Lins dos Santos, ex-diretora do Senge-PR e uma das responsáveis pela criação do Coletivo, a trajetória desse movimento reflete o esforço contínuo das engenheiras em superar as barreiras históricas que ainda limitam a ascensão das mulheres e a conquista de salários iguais pelos mesmos trabalhos.
“Antes de o Coletivo de Mulheres do Senge-PR ser formalmente criado, já existia o Coletivo de Mulheres da FISENGE, da qual eu fiz parte. Esse coletivo da FISENGE foi fundamental em várias ações de formação e na defesa de pautas femininas. Uma de suas grandes conquistas foi a criação da tirinha da engenheira Eugênia, que até hoje é um símbolo importante na transmissão da mensagem que compõe a nossa luta”, conta Sandra.
Com o tempo, Sandra e outras engenheiras perceberam a necessidade de descentralizar as ações e levar as pautas de gênero para os sindicatos estaduais. “Foi então que, como representante do Senge-PR no Coletivo de Mulheres da FISENGE, me coube a missão de chamar engenheiras do Paraná para dar início ao nosso Coletivo de Mulheres aqui. A ideia sempre foi envolver também as companheiras das regionais, fortalecer a nossa luta em todas as partes do estado.”
Uma das primeiras ações do coletivo foi buscar dados que comprovassem as disparidades salariais entre engenheiros e engenheiras. “Chamamos o DIESE para nos ajudar com as estatísticas. E foi aí que ficou claro: as engenheiras ganhavam menos para realizar o mesmo trabalho que um engenheiro. Essa diferença é um reflexo das barreiras invisíveis, o ‘teto de vidro’, que limitam o nosso avanço para cargos de liderança.”
Sandra ressalta a importância dessa luta ao relembrar figuras históricas que, como Enedina Alves Marques, abriram caminhos para as engenheiras no Brasil. Enedina, a primeira mulher negra a se formar engenheira no Brasil, é um exemplo de resistência e superação das dificuldades impostas pela sociedade da época. “Ela foi uma pioneira. Seu legado é imenso e o Coletivo de Mulheres do Senge-PR tem um papel fundamental em honrar e reforçar histórias como a dela, de mulheres que desbravaram um campo predominantemente masculino e marcaram a história da engenharia.”
Sandra lembra também de outras mulheres que desempenharam papéis no fortalecimento da engenharia e na luta por igualdade. “São mulheres como Enedina, como as engenheiras que se dedicaram ao movimento sindical e lutaram por um mercado de trabalho mais justo, que servem de inspiração para todas nós. O Coletivo de Mulheres é uma forma de perpetuar essas histórias, de manter vivo o legado dessas mulheres que, com muita coragem, quebraram barreiras e abriram caminho para as engenheiras de hoje.”
Para Sandra, o Coletivo de Mulheres do Senge-PR é muito mais do que um espaço de debate. Ele é a continuidade de uma luta histórica pela igualdade de gênero na engenharia, que se reflete em cada ação do coletivo e na visibilidade dada a figuras históricas como Enedina. “Agora, ver uma sala cheia de mulheres discutindo o 8 de março, celebrando as conquistas e falando sobre a história da nossa luta, me dá uma sensação de que estamos no caminho certo. Estamos construindo um legado para as futuras gerações de engenheiras.”
O Coletivo de Mulheres do Senge-PR segue sendo uma importante voz na defesa dos direitos das engenheiras, reafirmando o compromisso do sindicato com a igualdade de oportunidades e o combate às barreiras de gênero no setor. Mais do que isso, ele reforça o legado de mulheres como Enedina Alves Marques, simbolizando a continuidade de uma luta que permanece mais viva do que nunca.
Conheça melhor o Coletivo de Mulheres do Senge-PR: