Em celebração aos 90 anos do Sindicato de Engenheiros do Paraná (Senge-PR), a entidade revisita sua história de luta e conquistas pelos direitos dos profissionais da engenharia. Entre essas batalhas, a garantia do Salário Mínimo Profissional se destaca como uma das principais pautas da categoria ao longo das décadas.
Retornando ao Senge-PR para contribuir com as comemorações, Ulisses Kaniak, ex-presidente da entidade, relembra a trajetória de mobilização para assegurar essa conquista histórica. “O Salário Mínimo Profissional foi uma lei federal proposta inicialmente pelo deputado Rubens Paiva. Devemos essa legislação à sua memória. Quando a lei foi aprovada, ele já não estava vivo. Na época, dizia-se desaparecido, mas sabemos o que aconteceu com ele, como bem retratado no filme que representará o Brasil no Oscar”, conta Kaniak.
A aprovação da lei garantiu a valorização salarial dos engenheiros, mas a luta não terminou ali. Nas décadas seguintes, especialmente a partir dos anos 1980, o setor enfrentou desafios, como a redução de investimentos em grandes obras e a tentativa de empresas de burlarem a obrigatoriedade do pagamento do piso salarial. “Houve um período marcado pelo surgimento do ‘engenheiro peão’, termo utilizado para descrever engenheiros atuando em condições precarizadas, muitas vezes contratados sob outras denominações para evitar o pagamento correto”, relembra Kaniak.
“Precisou de uma atuação muito forte do sindicato, tanto em negociações coletivas quanto na área jurídica, para garantir o peso profissional. Durante muitos anos, essa foi a grande bandeira das negociações. Um exemplo marcante foi uma negociação com a Copel, onde os engenheiros foram os primeiros a rejeitar uma proposta por não contemplar o Salário Mínimo Profissional. Isso pautou as demais categorias e resultou em uma proposta melhor para todos”, conta Kaniak.
A luta dos engenheiros, conduzida pelo Senge-PR, não apenas garantiu direitos para a classe, mas também influenciou positivamente as condições de trabalho de toda uma categoria profissional. “O Senge-PR não é um sindicato de fachada, é um sindicato que luta de fato por aquilo que a sua base pede. Se um dia ele deixar de existir ou de ser financiado, não será apenas a luta sindical que será prejudicada, mas a própria condição de trabalho dos engenheiros”, alerta Kaniak.
Ao completar 90 anos, o Senge-PR continua a desempenhar um papel fundamental na defesa dos engenheiros, agrônomos e geocientistas que representa. A entidade segue atuante na condução de assembleias, nas negociações de direitos com as empresas e na fiscalização de processos de privatização e venda de patrimônio público. O Senge-PR reafirma seu compromisso de que a luta em prol da categoria também se traduz na defesa dos interesses coletivos da sociedade.
Confira o vídeo de Ulisses Kaniak: