O Sindicato dos Engenheiros no Estado do Paraná (Senge-PR) celebra seus 90 anos de história, marcada por conquistas, desafios e uma constante defesa dos direitos dos profissionais da engenharia, agronomia e geociências. Fundado em 6 de abril de 1935, o sindicato teve sua origem com a iniciativa de 11 engenheiros que buscavam uma representação mais eficaz para a categoria, que na época contava apenas com o Instituto de Engenharia do Paraná.
Carlos Roberto Bittencourt, atual Diretor-Secretário do Senge-PR e Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), tem sido um elo importante nesta história de mobilização. Ao longo de sua trajetória, Bittencourt acompanhou a evolução do sindicato e a crescente importância de sua atuação para a categoria. “O Senge-PR, ao longo das décadas, sempre teve um papel determinante nas políticas públicas que afetaram diretamente a engenharia no Paraná. Uma das lutas iniciais foi a defesa da criação da ferrovia de Paranaguá até o Paraguai, um projeto estratégico para o desenvolvimento da infraestrutura do estado e do país”, relembra Bittencourt.
Nos primeiros anos do sindicato, a luta por essa ferrovia se destacou como um marco na história da entidade, tendo sido um dos maiores projetos defendidos por seus membros, sendo ampliado posteriormente com a criação da Ferro Oeste, que chegou até Cascavel, consolidando o papel do sindicato na busca por soluções para os desafios logísticos e estruturais da região.
A partir da década de 1990, o movimento sindical passou por uma transformação significativa, com o surgimento da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (FISENGE), que visava fortalecer a representação política dos engenheiros. Bittencourt, que também presidiu o sindicato por dois mandatos, lembra da importância desse período de reestruturação. “Foi uma mudança importante para que os sindicatos pudessem se posicionar politicamente, sempre defendendo os interesses da categoria sem envolvimento partidário, mas com uma atuação voltada para questões específicas da engenharia”, afirma.
Uma das grandes questões atuais que o Senge-PR enfrenta é o impacto da pejotização no mercado de trabalho. O modelo de contratação por meio de Pessoa Jurídica (PJ), que cresceu com o advento do MEI (Microempreendedor Individual), tem sido uma realidade cada vez mais comum nas empresas, mas também tem trazido desafios para os profissionais. “Muitas empresas estão optando por contratar engenheiros como PJ, o que significa que eles deixam de ter benefícios como o plano de saúde coletivo, férias e 13º salário. Isso cria uma série de dificuldades, principalmente quando há problemas de saúde ou outras necessidades que exigem benefícios trabalhistas”, explica Bittencourt.
O sindicato tem buscado se adaptar a essa nova realidade, oferecendo apoio aos profissionais que atuam nesse formato. “Embora não possamos negociar salários diretamente, como fazemos com os contratados seletistas, estamos buscando formas de representar os engenheiros que estão nessa condição, seja trazendo suas demandas para o sindicato ou defendendo seus direitos de forma mais ampla, não vinculada a uma empresa específica”, completa.
Com os 90 anos de Senge-PR, Bittencourt também destaca a importância do sindicato para a manutenção da força de negociação dos profissionais. “Ao longo das décadas, passamos por diversas transformações, como a reforma trabalhista e a ditadura de 1964, que paralisou muitas entidades sindicais até os anos 1980. O movimento sindical só se fortaleceu novamente com a mobilização das categorias, especialmente no ABC Paulista. Foi nesse período que se consolidou a importância de um sindicato forte, capaz de lutar por melhores condições de trabalho e direitos para os profissionais”, destaca.
Para Bittencourt, o sindicato sempre foi uma voz importante na defesa dos profissionais da engenharia e um agente essencial para a luta pela melhoria das condições de trabalho no Brasil. “Onde os sindicatos não atuam, os acordos coletivos são fracos, e os direitos dos trabalhadores são mais facilmente desrespeitados. Por isso, a mobilização e a união dos profissionais são fundamentais para garantir a valorização da categoria”, afirma.
O Senge-PR, ao longo de seus 90 anos, se consolidou como uma entidade fundamental na defesa dos direitos dos engenheiros, agrônomos e geocientistas, sendo uma voz ativa nas questões que afetam diretamente a profissão e, por extensão, a sociedade.
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