Os sindicatos são, historicamente, instrumentos fundamentais na conquista e manutenção de direitos trabalhistas. No entanto, enfrentam desafios constantes, especialmente no cenário atual, onde o discurso de desvalorização dessas entidades se tornou recorrente. Essa narrativa, amplamente difundida, ignora o papel essencial que os sindicatos desempenham na garantia de um mercado de trabalho mais justo. Aqueles que assumem funções de liderança em sindicatos são rotulados de maneira pejorativa e desinteressados pelo trabalho produtivo, quando, na realidade, sua atuação se dá justamente na defesa de condições dignas para essa produção. Nesse cenário, a luta sindical exige dedicação, estratégia e resistência para enfrentar não apenas os interesses patronais, mas também os desafios políticos e econômicos que buscam desestabilizar essas organizações.
Outro grande desafio enfrentado pelos sindicatos é a propagação de fake news que afetam sua imagem e criam estigmas. As informações falsas circulam desde a necessidade da existência dessas entidades até o papel das greves que promovem. Há uma tentativa de deslegitimar o movimento. Essa desinformação enfraquece a confiança dos trabalhadores e prejudica a adesão às entidades, contribuindo para sua desmobilização.
Entre as medidas de desarticulação sindical está a Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017). A medida representou um golpe para os sindicatos brasileiros, tornando a contribuição sindical facultativa e extinguindo o imposto sindical. A reforma enfraqueceu financeiramente essas entidades, limitando sua capacidade de atuação e negociação. Como consequência, muitos sindicatos perderam força, resultando em acordos coletivos menos vantajosos para os trabalhadores. O efeito foi um ciclo vicioso: com menos recursos, os sindicatos se tornaram menos eficazes, levando trabalhadores a se desfiliarem, o que reduziu ainda mais a arrecadação e a capacidade de representação. Esse desmonte das entidades sindicais não afetou apenas os trabalhadores filiados, mas toda a classe trabalhadora, que viu a redução de sua força coletiva frente aos empregadores.
O enfraquecimento dos sindicatos não afeta apenas a negociação de salários e benefícios; ele compromete a própria democracia. Quando os trabalhadores perdem sua voz coletiva, o poder se concentra ainda mais nas mãos dos empregadores, resultando em relações de trabalho desiguais e desprotegidas.
Em meio a esse cenário desafiador, o Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR) se manteve forte. Mesmo diante das ameaças à sua sustentabilidade financeira e às tentativas de enfraquecimento do movimento sindical, o Senge-PR se manteve ativo, adaptando-se às novas realidades e continuando a promover ações voltadas à inovação e ao desenvolvimento da profissão. Agora, em 2025, o Senge-PR celebra seus 90 anos de história e consolida seu papel de resistência e força dentro do movimento sindical.
Esse marco é um testemunho da capacidade de adaptação, força e comprometimento do sindicato em lutar por melhores condições para os profissionais da engenharia, agronomia e geociências. O Senge-PR segue sendo um pilar para seus associados, fortalecendo a luta por direitos com coragem e dedicação não apenas em defesa dos engenheiros, mas da engenharia e de toda a sociedade.