O Ministério da Educação (MEC) anunciou, no mês de abril/2025, que os cursos das áreas de Engenharia e Saúde não poderão mais ser ofertados integralmente na modalidade de Educação a Distância (EAD). A decisão representa uma conquista para todas e todos que defendem uma formação técnica (e ética) , alinhada aos desafios reais do mundo do trabalho e aos compromissos sociais da engenharia.
A medida foi comunicada pelo diretor de Regulação da Educação Superior do MEC, Daniel Ximenes, e integra o novo decreto presidencial que está em fase final de elaboração na Casa Civil. A publicação oficial está prevista para ser publicada até o dia 9 de maio, conforme afirmou o diretor ao jornal O Estado de S. Paulo.
Para o Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR), essa lógica mercantil transforma diplomas em produtos e coloca em risco a qualidade da formação e, consequentemente, a segurança das obras, das cidades e da vida das pessoas. Muitas instituições, pressionadas pela lógica do lucro e da escala, adotaram o EAD como meio para cortar custos, mesmo à revelia da realidade prática da engenharia. O crescimento descontrolado de cursos de Engenharia EAD, muitos com mensalidades simbólicas, corpo docente insuficiente e avaliações automatizadas, tornou-se um modelo perverso que sacrifica a qualidade em nome da expansão numérica. Ao mesmo tempo, estudantes em cursos remotos acabam recorrendo à IA para resolver exercícios, elaborar trabalhos e até projetar soluções complexas, sem internalizar o conhecimento técnico e sem experiências concretas que preparem para o mundo real do trabalho.
Desde a década de 1990, sindicatos, conselhos profissionais e entidades acadêmicas alertam sobre os riscos de transformar a educação em mercadoria. Por isso, a decisão do MEC de barrar cursos 100% EAD é, para o Senge-PR, uma sinalização positiva de que a formação de engenheiros deve ser pautada pela excelência, pelo compromisso social e pela valorização da ciência, e não pelos interesses de mercado.
Essa decisão do MEC é um passo importante para valorizarmos a profissão e a segurança de toda a população que depende de obras, projetos e soluções bem executadas”, afirma a presidente interina do Senge-PR, Ágatha Branco.
O MEC ainda anunciará os limites percentuais permitidos para EAD em cada área, conforme previsto no novo decreto. Daniel Ximenes afirmou que a engenharia e as áreas da saúde são “sensíveis” e exigem maior presencialidade. Ele também reforçou que o governo buscará estabelecer um “pacto pela credibilidade do EAD”, reconhecendo o valor dessa modalidade quando utilizada com equilíbrio, estrutura e responsabilidade.
Para o Senge-PR, é necessário que a regulamentação estabeleça critérios rigorosos de qualidade, que impeçam a mercantilização da formação profissional e garantam que o exercício da engenharia continue sendo pautado pela ética, segurança, sustentabilidade e compromisso social.