O assédio moral no ambiente de trabalho é uma realidade de todas as categorias. As profissões da engenharia, agronomia e geociências são, por natureza, levadas a posições estratégicas dentro de organizações públicas e privadas. No entanto, o título profissional, por si só, não é capaz de blindar nenhum profissional (independente da área) dessas situações. As consequências dessa prática vão além do desconforto: afetam a saúde mental, o desempenho profissional e, em casos extremos, a permanência no emprego. Essa é uma violência que se manifesta em condutas abusivas, reiteradas e desrespeitosas, capazes de comprometer a dignidade e a integridade física e psíquica do trabalhador ou trabalhadora. A dúvida é: o que fazer quando se perceber em uma situação como essa?
O primeiro passo é reconhecer. O assédio moral nem sempre é facilmente identificado e nomeado. Pode aparecer em forma de piadas, comentários depreciativos, exigências exageradas, ou críticas constantes e infundadas. Essas atitudes, mesmo quando não intencionais, ganham peso com a repetição e, quando usada como ferramenta desestabilizar o outro, há um desequilíbrio que precisa ser pautado e combatido.
Essa assimetria é um dos elementos centrais do processo. Ela se manifesta não apenas na hierarquia formal entre chefias e subordinados, mas também nas relações marcadas por desigualdades de gênero, raça, orientação sexual, idade ou deficiência. Mulheres, pessoas negras, LGBTQIA+ e pessoas com deficiência frequentemente enfrentam essas dinâmicas de forma ainda mais intensa, muitas vezes silenciadas pelo medo de represálias ou descrédito.
Diante dessas situações, (após reconhecer o problema) é fundamental buscar apoio. É importante procurar os canais institucionais disponíveis, como os setores de recursos humanos, comissões ou comitês de ética das empresas. Guardar mensagens, e-mails e outros registros, por exemplo, pode ser essencial para comprovar os abusos em casos de judicialização.
O papel dos sindicatos também é decisivo nesse enfrentamento. Além de acolher e orientar as vítimas, as entidades sindicais atuam na denúncia, na mediação de conflitos e na cobrança de políticas efetivas de prevenção e enfrentamento. No caso do Senge-PR, essa é uma pauta constante, que envolve tanto a defesa individual de profissionais quanto a luta por ambientes de trabalho mais humanizados.
A prevenção do assédio moral não depende apenas de quem sofre a violência. Ela é uma responsabilidade coletiva e institucional. Nessa direção, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), que atua em parceria com sindicatos de diversas categorias, tem reforçado a importância de políticas claras de proteção no mundo do trabalho. A criação de ambientes onde o respeito, a escuta e a equidade sejam práticas cotidianas é um passo necessário para garantir a saúde e o bem-estar de todas as pessoas nos espaços laborais.
Falar sobre assédio moral é romper com o silêncio e fortalecer a cultura do cuidado e da justiça nas relações profissionais.
No mês do trabalhador, vale reforçar: Onde houver respeito, há trabalho digno.