Por Orlando Lisboa de Almeida – Coletivo de Aposentados do Senge-PR
A leitura é um hábito que me acompanha há anos. Por isso, os algoritmos já entenderam que sou o público ideal para receber sugestões de novos títulos (especialmente aqueles que envolvem temas como o Terceiro Setor e a Responsabilidade Socioambiental). Foi assim que me deparei com Humanos de Negócios – Histórias de Homens e Mulheres que Estão (Re)humanizando o Capitalismo, de Rodrigo V. Cunha, publicado pela Editora Voo, de Curitiba, em 2020.
Com 410 páginas e prefácio assinado por Fábio C. Barbosa — executivo com larga experiência no setor bancário — a obra reúne reflexões e histórias de quem acredita que é possível conciliar resultado econômico com impacto social positivo. Barbosa já dizia: “O jogo é duro, mas é na bola, não na canela.” Ao longo de sua trajetória, defendeu que valores devem orientar nossas escolhas — inclusive nas relações de trabalho, de consumo e de liderança.
O autor, gaúcho e ex-publicitário, passou por redações como o Jornal Zero Hora e revistas como a Você S.A. Ao mergulhar em casos reais de mercado justo, ele mostra que existem caminhos inovadores no mundo empresarial e iniciativas que apostam no respeito às pessoas e ao meio ambiente, mesmo quando, infelizmente, sob pressão por metas.
Com linguagem acessível, o livro provoca uma pergunta essencial: para que serve uma empresa? Ele explora temas como pandemia, desigualdade global, consumismo, exploração da mão de obra e o esgotamento gerado por uma sociedade cada vez mais individualista. Uma de suas frases mais marcantes resume bem a crítica: “Vivemos hoje em uma cultura narcisista, que desviou a sensação de paz interior para a paz exterior.”
Em tempos em que o trabalho precisa voltar ao centro do debate social, Humanos de Negócios oferece mais do que histórias inspiradoras — propõe um novo olhar sobre o papel das organizações e o sentido de empreender, liderar e conviver.
Reflexão Sindical
A leitura de Humanos de Negócios nos provoca a pensar sobre o papel das organizações e das lideranças no mundo do trabalho. Para o movimento sindical, a defesa é que não basta promover ambientes “humanizados” apenas no discurso: é preciso que as estruturas produtivas estejam a serviço das pessoas, e não o contrário. O sindicato segue sendo espaço fundamental para defender essa visão de sociedade, onde o trabalho não seja um fator de adoecimento, mas um meio de emancipação.
Boa leitura.
