Sob o sol da Praça Santos Andrade, o Coletivo de Mulheres do Senge-PR uniu-se à tradicional Marcha 8M, integrando uma frente ampla de mulheres que clamam por justiça, segurança e dignidade. O ato, que seguiu em caminhada até a Boca Maldita, não foi apenas uma celebração do Dia Internacional da Mulher, mas um grito de resistência contra o feminicídio e as estruturas que oprimem as trabalhadoras da agronomia, geociências e da engenharia. Com o tema “Pela vida das mulheres, contra o imperialismo, por democracia, soberania e pelo fim da escala 6×1”, a marcha deste ano destacou a conexão entre a política macroeconômica e a violência cotidiana. Para as profissionais do Senge-PR, a presença no ato reafirma o compromisso da categoria com a soberania nacional e a justiça climática, pautas indissociáveis da emancipação feminina.
“Estar nas ruas hoje, ao lado de tantas frentes mobilizadas, é reafirmar o compromisso do SENGE-PR com a construção de uma sociedade mais justa. Nossa categoria entende que o desenvolvimento técnico só é pleno se caminhar junto com a equidade e o respeito aos direitos das mulheres”, afirmou Agatha Branco, vice-presidente do Senge-PR.
Uma das bandeiras centrais da mobilização deste ano foi o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso). Para as mulheres, essa jornada não é apenas uma questão trabalhista, é uma barreira à sobrevivência e ao bem-estar. O impacto da escala 6×1 é desproporcional para as trabalhadoras por diversos fatores:
Mulheres ainda detêm a maior carga de trabalho doméstico e de cuidado com filhos e idosos. Trabalhar seis dias por semana reduz o tempo de descanso a quase zero, gerando exaustão física e mental. Além disso, a falta de tempo para o autocuidado e o lazer agrava quadros de ansiedade, algo crescente entre engenheiras e geocientistas que enfrentam ambientes de alta pressão. A escala 6×1 impede que muitas mulheres busquem especializações e pós-graduações, dificultando a ascensão profissional em áreas técnicas. As jornadas exaustivas e horários rígidos muitas vezes expõem as mulheres a deslocamentos perigosos em horários de vulnerabilidade, conectando a precarização do trabalho à insegurança pública.
Além da própria um marcha, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) também realizou um ato público no local, reforçando a importância do suporte psicológico e da rede de proteção no combate ao feminicídio. A unidade entre diferentes conselhos profissionais e sindicatos fortalece a percepção de que a luta das mulheres é transversal e atinge todas as esferas da sociedade. O Coletivo de Mulheres do Senge-PR segue mobilizado. Seguimos juntas, por nós e por todas!












