
O que une uma engenheira que está treinando para ser a primeira astronauta brasileira e uma líder premiada pelo Comitê do Nobel da Paz? A resposta é a vontade de transformar a engenharia do Paraná por meio do programa de mentoria do Senge-PR. O encerramento do ciclo “Conectando Gerações”, realizado com apoio da Mútua-PR, promoveu uma troca de experiências sobre futuro, sonhos e os desafios reais da carreira.
De um lado, na tela, Andressa Ojeda, engenheira aeroespacial de 24 anos com currículo que inclui voos de gravidade zero, deixou um recado aos seus pares de geração: o caminho é longo e cheio de barreiras, mas redes de apoio como a mentoria são fundamentais para o êxito. Ao lado dela, a experiência de Margaret Groff trouxe o “pé no chão” necessário. Com décadas de Itaipu Binacional, Margaret falou sobre a transição da área técnica para a gestão e, especialmente, sobre sua atuação como consultora da ONU Mulheres e a urgência da igualdade de gênero no setor.
A iniciativa não foi fruto de um movimento isolado. O programa teve seus primeiros passos articulados pelo engenheiro agrônomo e professor Tiago Luan Hachmann, à época líder do Senge Jovem, e pelo engenheiro civil Samir Jorge, diretor do sindicato e assessor no Crea-PR. Eles formataram a proposta inicial, unindo a visão acadêmica e de políticas públicas para criar o elo entre veteranos e iniciantes.
Ao longo do processo, a condução foi assumida pela engenheira cartógrafa Ágatha Branco. Atual vice-presidente do Senge-PR e gestora de projetos na iniciativa privada, Ágatha supervisionou as etapas de execução, trazendo o ritmo do mercado para a dinâmica das mentorias. O suporte metodológico ficou a cargo da consultoria do Instituto de Gestão Pública de Maringá. Para o presidente do Senge-PR, Leandro Grassmann, o diferencial do projeto é o formato horizontal. “Acredito muito na mentoria não como um lugar hierárquico entre o jovem e o mentor, mas como um espaço de troca e crescimento para ambos”, afirmou. Ágatha Branco reforçou o papel da entidade nessa condução, classificando a iniciativa como uma ação em prol de uma “engenharia mais cidadã e engajada com um futuro mais responsável socialmente”.
O apoio da Mútua foi decisivo para viabilizar a jornada. Segundo o diretor-geral da Mútua-PR, Edson Luiz Dalla Vecchia, o programa é uma extensão do que a caixa de assistência já acredita. “A engenharia também é troca e a Mútua, que já atua em favor dos jovens, expandiu sua atuação ao acolher esse programa em nossas ações, inclusive aportando recurso para que ele acontecesse”, destacou.
O evento, conduzido por Raphael Branco, engenheiro agrônomo, foi finalizado com a entrega oficial dos certificados. Mais do que validar horas de formação, o momento simbolizou o compromisso de mentores e mentorandos com a excelência na Engenharia, Agronomia e Geociências.