
O presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Paraná (Senge-PR), Leandro Grassmann, participou hoje (31) na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (ALEP) da audiência pública sobre o direito a moradia e sobre os despejos próximo às linhas de transmissão da Copel.
A iniciativa foi do deputado estadual Arilson Chiorato, que convidou especialistas e as famílias que estão sob risco de despejo, inclusive as que residem nas áreas antes da construção das linhas da Copel, com documento de posse.
As regiões ameaçadas por esses despejos se espalham pelo Paraná. Foram citadas áreas em Curitiba, São José dos Pinhais e Almirante Tamandaré. A estimativa é de que esses despejos próximos a linhas da Copel atinjam aproximadamente 10 mil pessoas.
O presidente do Senge-PR, Leandro Grassmann falou sobre os riscos técnicos que as famílias correm nestes espaços, que são reais. Porém, contestou a forma como a empresa busca desalojar as famílias que estão há décadas nesses espaços.
“O que a Copel fez nesses últimos 30 anos para tirar as pessoas dessas áreas de risco? Nada, ela se omitiu. E de repente, isso se torna algo urgente para a empresa, expulsando o pessoal de baixo dessas linhas sem se importar com para onde essas pessoas vão de mãos vázias”, disse o presidente do Senge-PR.
Os despejos não são apenas ameaça. Famílias já tiveram suas casas desapropriadas e demolidas sem nenhum plano ou projeto de realocação. Dona Terezinha, de 78 anos, foi despejada de sua casa com a presença do poder público e de funcionários da Copel, que alegaram que ela teria direito à outra casa, o que não se concretizou.
Na audiência foram levantados dados do défcit de moradia em Curitiba e no Paraná. Segundo dados da “Pesquisa de Necessidades Habitacionais do Paraná 2023”, mais de 500 mil pessoas não possuem moradia digna no estado do Paraná. Em Curitiba, o número chega a 109.402 pessoas, divididas em aproximadamente 90 mil famílias.
Os moradores das áreas de risco relatam a atuação de funcionários da Copel que recomendam que os moradores não procurem advogados. A empresa foi convidada a participar da audiência pública porém não compareceu.
“Esse é um problema que deve ser solucionado sem que ninguém fique sem casa”, afirmou o deputado estadual Arilson Chiorato. “A responsabilização deve ser coletiva, tanto para a Copel quanto para o governo estadual”, completou.




Fotos: Guilherme Araki