
29 de julho de 2026
Na última segunda-feira (27), foi realizada em Curitiba a audiência pública promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sobre a nova concessão da Malha Sul, que vai definir o futuro da ferrovia pelos próximos 30 anos. A audiência reuniu representantes do poder público, do setor produtivo e da sociedade civil.
Representando o Senge-PR, estiveram presentes os diretores, engenheira civil, Maria Cristina Graf e, engenheiro mecânico, Ayrton Pontes.
Com aproximadamente 4.247 quilômetros de extensão, a Malha Sul atravessa os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O projeto em discussão prevê a divisão da rede em três concessões independentes: o Corredor Paraná-Santa Catarina, com 1.502 quilômetros; o Corredor Mercosul, com 1.865 quilômetros; e o Corredor Rio Grande, com 880 quilômetros.
Entre os três corredores, o Paraná-Santa Catarina concentra cerca de 78% da demanda ferroviária da Malha Sul e responde pelo principal fluxo de cargas da rede. Aproximadamente 80% da movimentação desse trecho segue para os portos de Paranaguá (PR) e São Francisco do Sul (SC), fundamentais para o escoamento da produção agroindustrial brasileira.
A relevância desse corredor reflete a importância do Paraná para a produção e a logística nacionais. Em 2025, o estado colheu 46,8 milhões de toneladas de grãos, o equivalente a 13,5% da produção brasileira. No mesmo período, os portos de Paranaguá e Antonina movimentaram 73,5 milhões de toneladas de cargas, o maior volume já registrado, reforçando o papel da ferrovia na integração entre produção, indústria e comércio exterior.
Entre as principais reivindicações apresentadas durante a audiência estão a construção dos contornos ferroviários Leste e Oeste de Curitiba, a implantação de um novo traçado para a Serra da Esperança, entre Guarapuava e Lapa, a ampliação dos pátios de cruzamento e a priorização de investimentos no Paraná dentro da nova concessão.
Durante a audiência, foi discutida também a retirada de trens de carga da área urbana de Curitiba. Hoje, a ferrovia atravessa 21 bairros, passa por 51 cruzamentos em nível e interfere na circulação de veículos, ônibus e pedestres. As regiões impactadas concentram cerca de 467 mil moradores.
“Esse atual estudo não contempla a retirada dos trilhos do perímetro urbano de Curitiba, que é uma necessidade. Esses trilhos têm inúmeras passagens de níveis onde atravessam ruas e áreas de circulação urbana”, afirma a engenheira civil Maria Cristina Graf.
“A presença da engenharia é fundamental neste debate. Esses trechos são de rodovia federal e que estão com defasagem de manutenção e conservação. É fundamental que a concessionária ou as concessionárias que forem assumir as linhas trabalhem com um planejamento assertivo e pensado de acordo com as especificidades de cada trecho”, afirmou o engenheiro mecânico e diretor do Senge-PR, Ayrton Pontes.
“Como Senge-PR também nos interessamos pois essa manutenção vai envolver profissionais da engenharia, tanto na parte da construção e reforma das ferrovias, quanto na parte mecânica e civil”, completou.
A audiência integrou o processo de consulta pública da ANTT sobre a nova modelagem da Malha Sul. As contribuições podem ser enviadas até o dia 10 de agosto. Após o encerramento desse prazo, a Agência analisará todas as manifestações recebidas e poderá promover ajustes nos estudos e nos documentos da futura concessão. Na sequência, o processo será encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU), etapa que antecede a publicação do edital, a realização do leilão e a eventual assinatura dos contratos.