
O Coletivo de Mulheres do SENGE-PR (Sindicato dos Engenheiros no Estado do Paraná) realizou um evento na noite de 27 de novembro, em Curitiba, que teve como tema central “Os caminhos para uma Engenharia Antirracista”.
A Engenheira Agrônoma Yanara Ribeiro conduziu a reflexão, abordando a necessidade de inovação e reparação estrutural dentro do setor. Yanara questionou o perfil histórico da Engenharia, predominantemente masculino, branco e elitizado. Yanara Ribeiro afirmou que “a Engenharia do futuro não pode ser construída com as mesmas estruturas que limitaram o passado”, destacando a importância da inclusão da mulher negra como uma questão de acesso, oportunidade e reparação estrutural.
Para conduzir a reflexão, Yanara utilizou a metáfora dos “filtros” na Engenharia. Embora existam filtros técnicos para garantir a qualidade de projetos, ela apontou a existência de um filtro racial e de gênero que impede a entrada e ascensão de profissionais. A exclusão de talentos é vista como uma perda coletiva. O exemplo de Enedina Alves Marques, a primeira mulher negra engenheira no Brasil, foi citado para ilustrar a barreira: ela se formou 28 anos após a primeira mulher branca. Segundo a palestrante, o cerne do problema é o racismo estrutural, que impede o acesso e reduz oportunidades, fazendo com que o sucesso negro seja a exceção. “O racismo não rouba apenas diplomas, ele rouba futuros inteiros”, disse Yanara.
Para reverter esse quadro, a Engenheira defendeu a gestão antirracista, que chamou de “engenharia de alto desempenho”. Este modelo busca identificar, corrigir e transformar estruturas internas para liberar o potencial de profissionais historicamente excluídos. O perfil da mulher negra, muitas vezes destacada por sua capacidade de solucionar problemas com poucos recursos, é considerado essencial para o futuro da Engenharia. A inclusão é vista não apenas como justiça, mas como um fator de retorno prático para o mercado, já que pesquisas revelam que equipes diversas são até 30% mais inovadoras e empresas com diversidade racial têm até 35% mais chances de superar concorrentes.
Yanara Ribeiro concluiu desafiando a manutenção de estruturas limitantes: “Não basta quebrar o teto de vidro. É preciso questionar quem construiu o chão de concreto que impede tanta gente de subir.” Para aprofundar-se na história de Enedina Alves Marques, exemplo central na palestra de Yanara Ribeiro, o vídeo Biografando – Enedina Alves Marques detalha a trajetória da primeira engenheira negra do Brasil, mostrando sua superação de barreiras raciais e de gênero na Engenharia.