O reconhecimento recente de Wagner Moura e Fernanda Torres no Globo de Ouro não deve ser lido apenas sob a ótica do entretenimento, mas como uma comprovação do pensamento de Celso Furtado. Um dos maiores intelectuais da história do país, Furtado foi o economista que formulou as bases do planejamento estatal e do desenvolvimento estrutural brasileiro, defendendo que a cultura não era um adorno, mas o eixo central que dá sentido ao progresso técnico. Para um país que busca consolidar sua reindustrialização, a cultura atua como um ativo estratégico de imagem pública de competência técnica, capacidade criativa e, acima de tudo, um catalisador de investimentos diretos.
É necessário reconhecer, sob uma ótica de honestidade intelectual, que a importância da cultura transcende a infraestrutura física. O capital imaterial gerado por nomes como Wagner Moura e Fernanda Torres contribui para a retenção de talentos e para a valorização do capital intelectual brasileiro, evitando a evasão de profissionais qualificados. Ao tratar a cultura como um ativo estratégico e um produto de exportação de alto valor agregado, o Brasil fortalece sua soberania e sua capacidade de influenciar decisões econômicas globais. A engenharia, ao prover a base técnica e física para essa indústria, torna-se peça fundamental na sustentação de um setor que já demonstra ser um dos vetores mais eficientes para o crescimento do PIB nacional e para a construção de uma imagem pública sólida e respeitada.
Para o presidente do SENGE-PR, o engenheiro eletricista Leandro José Grassmann, a conexão entre os setores é conceitual: “A engenharia não é um fim em si mesma; ela é uma ferramenta humana dedicada a viabilizar o desenvolvimento da sociedade. Quando celebramos o sucesso da nossa cultura, estamos celebrando a nossa capacidade técnica e criativa de resolver problemas e comunicar quem somos, provando que o Brasil possui o capital intelectual necessário para liderar projetos de alta complexidade em qualquer área”.
A consolidação dessa indústria gera um ciclo virtuoso de aportes financeiros que impactam diretamente a economia real e o ordenamento do território, mas que dependem, essencialmente, de uma visão de planejamento. Vitórias em premiações internacionais atraem investimentos que exigem uma leitura integrada do país e de suas potencialidades. A engenheira cartógrafa e de agrimensura Ágatha Branco, então vice-presidente do sindicato, destaca que a engenharia e a cultura compartilham o papel de interpretar a realidade para transformá-la: “A engenharia cartográfica, por exemplo, lida com a ocupação do espaço e a soberania do território, mas isso só faz sentido quando compreendemos a dimensão humana de cada lugar. O sucesso internacional do nosso cinema fortalece a nossa identidade e valoriza o território brasileiro, atraindo olhares que transformam o potencial geográfico em oportunidades reais de desenvolvimento social e econômico”.
Tratar a cultura como um gasto é um erro de cálculo que ignora a potência do capital simbólico; compreendê-la como uma ferramenta de soberania permite que o Brasil venda sua capacidade de construir, inovar e, sobretudo, conceber novas realidades. A engenharia, ao projetar a base física e intelectual para essa indústria, torna-se peça fundamental na sustentação de um setor que já demonstra ser um dos vetores mais eficientes para o crescimento do PIB e para a construção de uma nação sólida e respeitada internacionalmente.