
O Sindicato dos Engenheiros no Estado do Paraná (Senge-PR) protocolou nesta quarta-feira (26) junto à Prefeitura de Foz do Iguaçu o comunicado oficial de greve dos engenheiros e arquitetos do município. A paralisação foi aprovada em assembleia da categoria e está prevista para começar em 1º de setembro de 2026.
A decisão ocorre diante da ausência de uma proposta concreta da administração municipal para as reivindicações apresentadas pelos profissionais às Secretarias Municipais de Administração e da Fazenda. A categoria cobra medidas de valorização profissional e melhoria da remuneração, considerando as responsabilidades técnicas e a importância dos engenheiros e arquitetos para o funcionamento da administração pública.
A mobilização vem sendo construída pelo Senge-PR em conjunto com o Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas no Estado do Paraná (SindArq-PR). As entidades já haviam chamado a atenção para a defasagem salarial dos profissionais do município. Em levantamento comparativo envolvendo 12 municípios, Foz do Iguaçu apresentou a menor remuneração por hora para engenheiros e arquitetos, de R$ 35,32.
Outro ponto destacado pelo sindicato é a diferença entre o vencimento inicial pago pelo município e o piso profissional da categoria. O salário-base de R$ 5.297,30 está 45,5% abaixo do piso nacional para uma jornada de 30 horas semanais, atualmente fixado em R$ 9.726.
A remuneração abaixo do mercado tem reflexos diretos na atração e permanência de profissionais qualificados no serviço público. Levantamento apresentado pelos sindicatos mostra que, no concurso realizado em 2018, nove em cada dez candidatos convocados não assumiram o cargo ou deixaram a função posteriormente. No concurso de 2022, o índice foi de cinco em cada dez convocados.
A preocupação vai além da valorização profissional. Engenheiros e arquitetos são responsáveis por atividades essenciais para o desenvolvimento do município, como planejamento urbano, elaboração de projetos, fiscalização de obras públicas, captação de recursos e acompanhamento de investimentos. A ausência de quadros técnicos qualificados e estáveis pode comprometer a eficiência da gestão pública e a execução de políticas voltadas à infraestrutura e ao crescimento sustentável da cidade.
Para o Senge-PR, a valorização desses profissionais também representa uma medida de fortalecimento do serviço público municipal. A entidade defende que uma remuneração adequada é fundamental para atrair, valorizar e manter profissionais qualificados na administração pública.
Com o protocolo do comunicado de greve, a categoria mantém a previsão de início da paralisação para 1º de setembro. Até lá, permanece a expectativa de que a Prefeitura de Foz do Iguaçu apresente uma proposta capaz de avançar nas negociações e evitar a paralisação.