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02.set.2019 RSS Senge

Alep deve ter frente organizada parlamentar em defesa da Copel Telecom

Fórum é lançado propondo investimentos em banda larga para a população

Por Manoel Ramires

Fórum se organiza para defender internet pública e de qualidade. Foto: Manoel Ramires

Fórum se organiza para defender internet pública e de qualidade. Foto: Manoel Ramires

O Fórum Paranaense em Defesa da Copel Telecom foi lançado na última sexta-feira (30), na UTFPR. Com a presença de entidades sindicais, movimentos sociais e partidos políticos, todos foram unânimes na urgência em barrar a iniciativa do governo de Ratinho Junior (PSD) de tentar privatizar a Copel Telecom, empresa de banda larga mais bem avaliada em todo o país e que já faturou R$ 69,1 milhões apenas em seis meses de 2019. Para isso, deve ser criada nos próximos dias uma Frente Parlamentar em Defesa da Copel Telecom na Assembleia Legislativa do Paraná. O intuito também é fazer pressão política e jurídica contra a privatização.

O deputado estadual Tadeu Veneri (PT) propôs uma organização parlamentar como uma ferramenta de debate com a sociedade e pressão política para remover o governo de sua intenção de privatizar a Copel Telecom. Veneri destacou que o governo estadual havia permitido a privatização de todos os parques estaduais e que a intenção de vender o patrimônio dos paranaenses já se consolida como uma marca de Ratinho Junior.

“(A privatização) é um projeto de governo que vai na mesma linha de Jair Bolsonaro (PSL). Ratinho Junior é face da mesma moeda do presidente.  Não é apenas a Copel Telecom. Vai junto a Compagas como foram os parques. Não há mais parque público no estado. Por isso, eu proponho uma frente parlamentar em defesa das estatais. A pressão sobre a assembleia pode ajudar contra o desmonte diário no estado do Paraná”, alerta no vídeo que pode ser visto clicando aqui.

A privatização da Copel Telecom é mais uma dentro da onda que tomou conta do Brasil. Foto: Manoel Ramires

A privatização da Copel Telecom é mais uma dentro da onda que tomou conta do Brasil. Foto: Manoel Ramires

A preocupação com as privatizações também foi tema do professor Domingos Leite Lima Filho, coordenador do Grupo de Estudos em Tecnologia e Trabalho da UFFPR. Ele comenta a convergência dos atuais governo estadual e federal em vender o patrimônio público. “Há 20 anos a gente lutava em defesa da Copel. Agora damos passo a um novo momento histórico. Não apenas as estatais estão sendo atacadas, mas a educação também com o projeto ‘Future-se’ que, na prática, é ‘Privatize-se’. Os grupos privados estão sedentos pelas privatizações e é preciso resistir”, incentiva professor Domingos.

Em defesa da Copel Telecom

O advogado Maximiliano Garcez fez uma retrospectiva em defesa da Copel, que quase foi privatizada em 2001, e de como a mobilização da sociedade pode impedir a venda das estatais atualmente. Para ele, um dos caminhos é jurídico. Garcez comparou a iniciativa do governo federal, ainda na gestão de Michel Temer (MDB), de tentar privatizar a Eletrobras e ser impedido porque fez dispensa de licitação em um dos processos. Postura semelhante adotada pelo governo do Paraná que contratou um banco e um escritório de advocacia para prestar assessoria, dispensando também a licitação.

“Privatização é um processo complexo e tem várias fases. A gente tem que entrar na luta jurídica tendo em mente a luta política. A classe trabalhadora tem perdido por WO ultimamente”, observou.

 

Advogado Maximiliano Garcez fez uma retrospectiva em defesa da Copel. Foto: Manoel Ramires

Advogado Maximiliano Garcez fez uma retrospectiva em defesa da Copel. Foto: Manoel Ramires

O advogado, que atuou contra a privatização da Copel em 2001, também disse que o mundo tem promovido a reestatização de diversas empresas por conta dos prejuízos e dos altos custos à população. É a mesma opinião do ex-deputado federal constituinte e coordenador do Fórum Contra a Venda da Copel entre 1999 e 2001, Nelton Friedrich. Ele destacou que a China tem pelo menos 150 mil estatais e que das 500 maiores empresas do mundo, 50 são estatais.

De acordo com a Fortune Global, das 10 maiores empresas do mundo, três são chinesas e uma saudita. Em 2018, as estatais da China cresceram 10,1%, sendo que as principais do ramo de petróleo, petroquímica e siderurgia. Já a estatal China Mobile é a maior empresa de telefonia móvel do mundo. “Não há países protagonistas no mundo que não tenham estatais”, destaca Nelton.

O especialista ainda relata que o Brasil tem 138 estatais que geraram R$ 25,2 bilhões em 2017. Já em 2018, apenas cinco estatais brasileiras geraram R$ 45 bilhões. Para Nelton, esses números só demonstram a importância de manter empresas sobre o controle do estado, ainda mais em um setor em expansão como o de banda larga. Ele cobra compromisso do governador.

“Ratinho, em seu plano de governo, defendia ampliar os serviços digitais. Ele não propôs à população privatizações. Pelo contrário, se comprometeu a melhorar a internet nas escolas e universidades”, compromete. 

Nelton Friedrich compara as reestatizações e a força de empresas públicas. Foto: Manoel Ramires

Nelton Friedrich compara as reestatizações e a força de empresas públicas. Foto: Manoel Ramires

No Plano de Governo, o então candidato se compromete a “disponibilizar, em parceria com os municípios, acesso gratuito à internet nos prédios públicos e buscar recursos técnicos visando à melhoria do sinal de internet em todas as escolas para atender às demandas do mundo virtual como suporte à aprendizagem colaborativa”, promete no compromisso com o desenvolvimento social.