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10.out.2017 RSS Senge

Em Audiência pública na Alep, Senge-PR se soma à unidade contra privatização do Setor Elétrico

Doze deputados, de cinco diferentes partidos, foram os propositores da audiência, a partir do pedido do Fórum Popular Contra a Privatização da Eletrobras

A Assembleia Legislativa do Paraná recebeu, na manhã desta terça-feira (10), a audiência pública “Privatização do Setor Energético: Soberania ou Dependência?”. A plateia lotada com cerca de 200 pessoas, com representes de dezenas de entidades, movimentos sociais e sindicatos, expressou unanimidade na posição em defesa do setor elétrico brasileiro.

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(Foto: Leandro Taques)

A audiência faz parte da reação social contrária à onda de privatizações anunciadas pelo governo Temer no final de agosto. O pacote de venda do patrimônio público inclui 57 projetos de privatizações e concessões, entre elas, a da Eletrobras. Doze deputados, de cinco diferentes partidos, foram os propositores da audiência, a partir do pedido do Fórum Popular Contra a Privatização da Eletrobras.

A audiência foi proposta pelos deputados Nelson Luersen (PDT), Ademir Bier (PMDB), Anibelli Neto (PMDB), Evandro Araújo (PSC), Guto Silva (PSD), Requião Filho (PMDB), Marcio Pauliki (PDT), Nereu Moura (PMDB), Péricles de Mello (PT), Professor Lemos (PT), Tadeu Veneri (PT), Tercílio Turini (PPS).

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(Foto: Ednubia Ghisi)

O presidente do Senge-PR, Carlos Bittencourt, esteve presente na audiência e frisou os interesses estrangeiros no Setor Elétrico nacional: “O Brasil é uma potência em produção de energia e não é à toa que grandes empresas internacionais, inclusive estatais, estão de olhos grandes na Eletrobras”. Para o engenheiro, a postura do governo em ofertar de empresas públicas estratégicas no balcão de negócios das privatizações é o “pagamento da conta do golpe vivido em 2016″, que colocou Michel Temer na presidência da república.

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(Foto: Ednubia Ghisi)

Entre as propostas da audiências está a de criar uma comissão mista para avançar na resistência contra a privatização; realizar um plebiscito para consultar a população sobre a privatização da Eletrobras; e a realização de audiências públicas em outros municípios do estado.

Eletrobras e o interesse público

“Que Eletrobras nós queremos? Essa é a questão que deveríamos estar discutindo”, provocou o jurista Nelton Miguel Friedrich, coordenador do Fórum Popular Contra a Privatização da Eletrobras, ex-deputado estadual e deputado constituinte. Friedrich atuou como coordenador-geral do Fórum Contra a Privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel), entidade criada em 2001 para se opor à tentativa de privatização da empresa.

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(Foto: Ednubia Ghisi)

Para Friedrich, o Brasil vive uma “crise de valor ético”, em que o governo coloca o interesse público à venda: “É preciso haver debate público amplo, e não imposto por um governo com 3% de aprovação”, completa.

O jurista frisa o papel da Eletrobras como ferramenta de política pública, que lidera programas estratégicos para a população brasileira. “Vocês conhece algum programa social feito por essas empresas que compraram empresas do setor elétrico no último período? Talvez a Samarco é um exemplo bem clássico”, ironiza, referindo-se ao desastre de Mariana e à atuação voltada exclusivamente aos interesses de mercado.

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(Foto: Ednubia Ghisi)

Sobre o argumento do governo de que as privatizações pagarão dívidas, Nelton Miguel Friedrich trouxe como contraponto dados acerca da Dívida Pública. Em 2016, a dívida cresceu a 11,42%. No final de 2017, a previsão é que chegue a R$ 3,6 trilhões. Diante dos dados, questionou o valor previsto em R$ 20 bilhões na venda da Eletrobras, indicado em previsões informais do governo.

Na avaliação de Friedrich, o Brasil vive a sangria da dívida pública. “Podem vender todas as estatais que não vai acabar com a dívida. Pior que os gringos que compram, são os brasileiros que vendem”, finaliza.

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(Foto: Ednubia Ghisi)

Ivo Augusto de Abreu, engenheiro e empresário do ramo de energia renovável, também coordenador do Fórum Popular Contra a Privatização da Eletrobras, reforçou a necessidade da articulação entre as categorias em prol da resistência contra as privatizações. “O Fórum quer ser um articulador dos movimentos de todos os setores. Queremos fazer a ligação com a sociedade como um todo, que não está entendendo o que está acontecendo”, reforça.